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O e-commerce e a importância em relação à privacidade

A privacidade se tornou, ao longo dos últimos anos, um tema quente não só no mercado de tecnologia, mas na sociedade em geral. Praticamente toda semana recebemos a notícia de um novo vazamento de dados ou de uma nova violação de segurança que expôs de alguma forma uma empresa. E, ao redor do mundo, temos observado o surgimento de dezenas de leis abordando justamente a proteção das informações pessoais dos indivíduos. Aqui no Brasil temos a LGPD, que já está em vigor há alguns anos e vem cada vez mais impactando a forma como o mercado atual.

Embora a maior parte das notícias e da discussão sobre a privacidade gire em torno dos dados que identificam as pessoas — CPFs, nomes, telefones, e-mails e similares — esse tipo de informação é só a ponta do iceberg no que tange a privacidade dentro do escopo do comércio eletrônico. A compra de um produto ou serviço, seja ela feita online ou offline, é uma das experiências mais íntimas e privadas que temos em nossa vida. Os livros que compramos e lemos são indicadores de nossas crenças, ideologias e até mesmo religião. Os produtos que compramos, por outro lado, podem indicar o nosso momento de vida. Ou seja, se somos solteiros ou casados; se temos ou não filhos; se moramos sozinhos ou com nossos pais, entre diversas outras características. E, se entrarmos nos serviços que nos cadastramos, a exposição pode ser ainda maior. Imagine a violação que seria alguém saber em quais sites de relacionamento você está cadastrado, ou que tipo de filmes e vídeos você assiste e compra.

Quando pensamos nos dados mais tradicionais, o risco relacionado com os vazamentos é relativamente conhecido. Afinal, se os seus dados pessoais vazarem, alguém pode se passar por você para abrir uma conta em um banco, contratar um cartão de crédito ou um empréstimo… E, no geral, causar algum prejuízo financeiro contra você. Com o comportamento de compra, os riscos são menos óbvios e, de certa forma, muito mais complexos. As suas crenças ideológicas ou religiosas (ou mesmo a sua orientação sexual, que pode ser inferida desse comportamento) podem ser utilizadas contra você de forma discriminatória. Ou seja, podem causar prejuízos muito maiores do que qualquer compra indevida feita em seu nome, e muito mais difíceis de você descobrir que estão acontecendo.

No mundo físico, temos mecanismos que independem do varejista que protegem a nossa privacidade. Quando fazemos uma compra pagando por dinheiro (ou, no caso de serviços, por boleto bancário), evitamos qualquer tipo de associação entre os nossos dados pessoais e o que estamos comprando. No mundo virtual, no entanto, essa separação não existe. Somos sempre obrigados a nos identificar para fazer qualquer tipo de transação, o que, no limite, nos coloca em risco. Por conta dessa falta de separação, o e-commerce se tornou guardião da nossa liberdade de comprar o que quisermos (dentro dos limites da lei, óbvio) sem sofrermos por causa dessas compras.

Para muitos vendedores, no entanto, essa responsabilidade não está clara, ou nem mesmo é percebida. Enquanto consumidores, nossos dados — inclusive dos produtos que estamos comprando — são muitas vezes compartilhados com terceiros sem o nosso conhecimento explícito. Ferramentas de antifraude, sites de reputação de lojas, fornecedores de analytics e diversas outras empresas recebem dados dos varejistas. E, pior: muitas vezes, recebem muito mais dados do que efetivamente precisam para fazer o seu trabalho.

A troca de dados entre as empresas é fundamental para o funcionamento. E não digo apenas em relação ao comércio eletrônico, mas da economia como um todo. Ela não deve, no entanto, ser realizada de forma impensada. Afinal, isso representa um risco de violação de privacidade dos usuários muito grande. Portanto, é importante que você, varejista de e-commerce, tenha plena consciência de quais dados estão sendo compartilhados. E, acima de tudo, que compartilhe apenas os dados que são absolutamente necessários para não se expor de forma indevida perante os consumidores e a lei.

O post O e-commerce e a importância em relação à privacidade apareceu primeiro em E-Commerce Brasil.

Na próxima semana farei mais um review com depoimento e resenha sobre O e-commerce e a importância em relação à privacidade. Espero ter ajudado a esclarecer o que é, como usar, se funciona e se vale a pena mesmo. Se você tiver alguma dúvida ou quiser adicionar algum comentário deixe abaixo.

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